No artigo de hoje, vamos explorar a fascinante história da marca Gucci e seu icônico fundador, Guccio Gucci. Se você é um verdadeiro amante da moda, não pode deixar de visitar o Museu Gucci em Florença. E para uma experiência ainda mais exclusiva, confira nosso tour “Florença com Estilo: Tour Privado da Moda”. Venha mergulhar no universo da elegância e da sofisticação!

O Nascimento de um Visionário

Guccio Gucci nasceu em Firenze no dia 28 de março de 1881, em uma família que já tinha a moda em suas veias. Seu pai, um habilidoso artesão de pele e modista, influenciou profundamente seus primeiros passos no mundo do design. Com quase 20 anos, Guccio decidiu expandir seus horizontes e se mudou para Paris, antes de estabelecer-se em Londres, onde encontrou trabalho no renomado Hotel Savoy. Começando como assistente, rapidamente ascendeu ao cargo de maitre, onde teve a oportunidade de interagir com celebridades e membros da realeza.

A Observação do Luxo

Durante seu tempo no Savoy, Guccio observava com atenção as enormes malas e acessórios dos hóspedes ilustres. Ele percebeu a obsessão da aristocracia pelo Polo e pelas corridas de cavalo, temas que influenciariam seus designs desde o início de sua carreira. Essa experiência não apenas moldou sua visão, mas também acendeu em Guccio o desejo de criar algo verdadeiramente especial.

O Retorno à Itália e o Início da Marca

Laboratorio Gucci, Lungarno Guicciardini 11, Floerença Anos 40 | foto: Arquivo Gucci

No início do século XX, Guccio retornou à Itália e começou a colaborar com um produtor de couro milanês chamado Franzi, após a falência do negócio de seu pai. Ali, ele aprendeu a arte do comércio e sonhou em abrir sua própria loja. Em 1920, ele finalmente se estabeleceu em Florença, onde, no ano seguinte, inaugurou uma loja que levava seu nome na Via delle Vigna Nuova.

A Criação de Acessórios de Luxo

Com a intenção de atingir a elite que conhecera no Savoy, Gucci começou a produzir selas e alforges, acessórios que refletiam seu amor pela tradição e pela qualidade. Além da loja, ele fundou um laboratório onde os melhores artesãos da Toscana trabalhavam, garantindo a excelência dos produtos. Em 1924, atento às mudanças sociais, lançou uma linha de bolsas para senhoras, diversificando sua oferta e expandindo sua visão.

Uma Vida Familiar e Profissional

Em 1901, Guccio casou-se com Aida Calvelli, uma costureira talentosa, e juntos tiveram seis filhos. Aldo, Rodolfo, Vasco e Ugo, o filho adotivo, seguiram os passos do pai na empresa. Aldo, que entrou na sociedade em 1933, foi fundamental para o sucesso da marca, criando o icônico logo com o duplo “G”, que se tornaria sinônimo da Gucci.

Desafios em Tempos Difíceis

Com a ascensão de Mussolini e as sanções econômicas impostas à Itália, a importação de couro tornou-se limitada. Em resposta, Guccio inovou, utilizando juta, linho e, eventualmente, um tecido de cânhamo proveniente de Nápoles, onde estampou pela primeira vez a marca da empresa. Durante a escassez de matérias-primas, ele também criou alças de bambu para a famosa Bamboo Bag, um design que refletiu sua determinação em manter a qualidade e a inovação.

A Expansão da Marca Gucci

Antes da Segunda Guerra Mundial, Guccio abriu uma nova loja em Roma e, em 1951, uma em Milão. Aldo supervisionou a abertura da primeira loja Gucci nos Estados Unidos, no Hotel Savoy-Plaza de Nova York. Infelizmente, duas semanas após essa inauguração, Guccio faleceu em Milão, aos 72 anos. A gestão da empresa passou para Aldo, Rodolfo e Vasco, que se comprometeram a manter vivo o legado do pai.

O Ícone do Mocassim e a Revolução dos Acessórios

Foto: Arquivo Gucci

Em 1953, Aldo lançou o mocassim com o morsetto, que rapidamente se tornou um símbolo de status. Com um design elegante e uma fivela inspirada no mundo equestre, o mocassim Gucci conquistou o coração de muitos e se consolidou como um dos produtos mais desejados da marca. O detalhe do freio de cavalo tornou-se uma assinatura em diversos acessórios, enquanto a fita de gorgorão verde-vermelha-verde se transformou em um símbolo inconfundível da Gucci.

A Criação da Bolsa “Jackie”

A colaboração com celebridades foi uma estratégia inteligente da família Gucci. Em 1961, Jackie Kennedy foi fotografada com uma bolsa Gucci, gerando uma demanda imensa e transformando a “Jackie” em um item icônico. O design foi revitalizado nos anos 90 e 2000, solidificando seu status como um dos acessórios mais famosos da história.

A Estampa Flora e o Legado de Grace Kelly

Fourlar Flora – Foto: Arquivo Gucci

Em 1966, Grace Kelly visitou o ateliê Gucci e, em homenagem a ela, Rodolfo Gucci encomendou uma estampa floral que se tornaria um clássico da marca. A estampa “Flora” não apenas refletiu a elegância da atriz, mas também inspirou uma série de novos designs que solidificaram a Gucci como um ícone da moda.

Um Império em Expansão

A partir dos anos 60, os herdeiros de Gucci se empenharam para expandir o legado deixado por Guccio. Aldo, Rodolfo e Vasco dividiram suas funções em diferentes cidades, enquanto Aldo continuava a trabalhar nos EUA. A marca rapidamente se estabeleceu em Londres, Palm Beach e Paris, e, em 1972, abriu lojas em Tóquio e Hong Kong.

Conflitos e Desafios Familiares

Com a nova geração da família Gucci, a empresa começou a ser mais conhecida pelos conflitos familiares do que pelos produtos. Paolo, filho de Aldo, deixou a empresa para abrir seu próprio negócio, resultando em processos judiciais e investigações de evasão fiscal contra Aldo. A morte de Rodolfo em 1983 trouxe mais turbulências, e Maurizio, seu filho, assumiu a direção da empresa, forçando Aldo e seus filhos a venderem suas ações.

A Transformação da Marca

Durante os anos 80, a Gucci enfrentou um período difícil, apesar do sucesso da coleção prêt-à-porter de 1981. Em 1988, Maurizio vendeu as ações da empresa para a Investcorp, removendo a família do controle. Em 1993, Maurizio vendeu sua participação total, e 18 meses depois, foi assassinado, um crime que chocou o mundo da moda.

A Renascença da Gucci

Nos anos 90, a gestão da empresa foi confiada a Domenico del Sole, que ajudou a revitalizar a marca. Em 1999, o grupo de luxo LVMH adquiriu uma participação significativa na Gucci, mas, após uma longa controvérsia, Domenico se aliou ao grupo PPR (atualmente Kering), criando um conglomerado de marcas de luxo. Hoje, quase 20 anos depois, a Gucci continua a brilhar como uma estrela do grupo, ao lado de marcas renomadas como Yves Saint Laurent e Balenciaga.

A história de Guccio Gucci é uma narrativa de inovação, resiliência e estilo. Desde suas humildes origens em Florença até a criação de uma das marcas de moda mais icônicas do mundo, seu legado perdura, inspirando novas gerações de designers e amantes da moda. A Gucci não é apenas uma marca; é um símbolo de elegância e sofisticação que continua a evoluir e a encantar o mundo.


Cristiane de Oliveira

Brasileira do Rio de Janeiro, vive em Florença ha 17 anos. Apaixonada por arte, historia e bons vinhos. Guia de turismo e sommelier na Toscana.

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