Terceiro episódio da séria A Semana na Arte. Na liturgia de hoje, terça-feira Santa, lemos o Evangelho João (13-,21-33.36-38), quando Jesus prevê a traição de Judas e a negação de Pedro.

Simão Pedro perguntou: “Senhor, para onde vais?” Jesus respondeu-lhe: “Para onde eu vou, tu não me podes seguir agora, mas me seguirás mais tarde”. Pedro disse: “Senhor, por que não posso seguir-te agora? Eu darei a minha vida por ti!” Respondeu Jesus: “Darás a tua vida por mim? Em verdade, em verdade, te digo: o galo não cantará antes que me tenhas negado três vezes”. (JO 13-,36-38).

Quando Jesus foi preso e levado à casa do príncipe dos sacerdotes, Pedro o seguia de longe. Algumas pessoas acenderam o fogo e sentaram-se ao redor e Pedro veio sentar-se com eles. Uma criada percebeu a presença de Pedro e encarando-o disse: “Também este homem estava com Ele.” Pedro negou, dizendo: “Mulher, não o conheço”.

Pouco depois veio outro e disse: “Também tu és um deles.” Pedro respondeu: “Não eu não sou.”Passada quase uma hora, afirmava outro: “Certamente este homem também estava com Ele, pois também é galileu.” Mas Pedro disse: “Meu amigo, não sei o que queres dizer.” E no mesmo instante, quando ainda falava, cantou o galo. Então Pedro se lembrou das palavras do Senhor.

A obra escolhida é do pintor holandês Gerrit van Honsthorst, conhecido na Itália como Gherardo della Notte e representa a Negação de Pedro. O artista, famoso por seus quadros com cenas meticulosamente iluminadas, viajou para a Itália em 1616 e foi fortemente influenciado pela arte de Caravaggio.

Na Galleria degli Uffizi existe uma sala dedicada a ele. Em 2015, os Uffizi fez uma grande exposição dedicada a Gherardo della Notte, onde a obra que vamos conhecer neste artigo, foi exposta. Hoje a obra faz parte da coleção do Musée des Beaux-Arts de Rennes na França.

A Negação de Pedro – (1616-17)

A negação de Pedro de Gherardo della Notte
A negação de Pedro de Gherardo della Notte

O pintor consegue desfrutar o formado horizontal da tela, inserindo o episódio do Evangelho no interior de uma taverna do século XVII. A cena é desenvolvida em torno de uma mesa, iluminada com velas.

A obra possui um grande dinamismo, graças ao homem colocado no centro da composição, que retém o apóstolo Pedro, segurando o seu manto. O jovem armado com a espada, interrompe o jogo de cartas, voltando-se ao ouvir a mulher que com a mão esquerda, segura uma vela, que ilumina a cena e com a outra acusa Pedro, apontando-o com os dedos, reconhecendo-o como discípulo de Cristo.

Pedro, vestido com uma roupa escura e um manto amarelo, levanta a mão direita e defendendo-se, pronúncia a famosa frase: “Não conheço aquele homem”, cumprindo assim a profecia de Jesus.

À direita, alguns jovens jogam cartas à luz de velas. Um soldado com armadura distribui as cartas, enquanto um outro de frente a ele, olha em direção do apóstolo. Um outro homem, mais idoso, segurando um bastão de viagem, com óculos e enrolado em um manto, presta atenção no jogo. Os cabelos e a barba são volumosos e grisalhos.

Os personagens estão vestidos de acordo com a moda do século XVII. De fato, a mulher usa um vestido longo e leve, apertado na cintura por um busto de couro. O soldado sentado à mesa usa um chapéu com penas. O fundo é completamente escuro e nenhum outro detalhe é distinguido.

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Cristiane de Oliveira

Brasileira do Rio de Janeiro, vive em Florença ha 12 anos. Apaixonada por arte, historia e bons vinhos. Guia de turismo e sommelier na Toscana.

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