No artigo de hoje vamos conhecer um pouco da pintura de Veneza. A obra escolhida foi o Martírio de Sant’Agata de Sebastiano del Piombo.

Quem foi Sant’Agata

Ágata foi uma jovem mártir siciliana, morreu em 5 de fevereiro de 251 em Catânia. É padroeira de Catânia, Gallipoli, República de San Marino e Malta.

Segundo a tradição, o procônsul de Catania Quinziano se apaixonou por Ágata e acusou a jovem de difamação da religião do Estado ordenando a sua captura.

Para curvá-la aos seus desejos, ela foi submetida a diversas torturas. O tormento que mais impressionou a memória popular, foi o martírio de seus seios, rasgados por enormes pinças.

A tradição nos conta que durante a noite, Ágata foi visitada por São Pedro, que a tranquilizou trazendo conforto e milagrosamente curou suas feridas. Ágata foi finalmente submetida ao tormento de carvão em brasa. Na noite seguinte à última violência, em 5 de fevereiro de 251, Ágata morreu em sua cela.

Santa Luzia, de Siracusa, quase da mesma idade de Ágata, foi com a mãe gravemente doente rezar no túmulo de Agata para implorar sua recuperação. Diz a tradição que Luzia enquanto orava, teve uma visão em que Santa Agata disse a ela “por que você veio aqui quando o que você me pede, você também pode fazer? Assim como Catânia é protegida por mim, sua Siracusa será protegida por você”. A mãe de Luzia se curou e a jovem foi pouco tempo depois martirizada.

O Martírio de Sant’Agata de Sebastiano del Piombo

O Martírio de Sant’Agata de Sebastiano del Piombo – Galleria Palatina, 1520

Sebastiano del Piombo retratou o martírio de Sant’Agata nesta pintura solene em 1520 para o cardeal Ercole Rangone, titular da igreja de Sant’Agata, em Roma.

Por causa de seu formato particular (retangular, mas desenvolvido horizontalmente), acredita-se que é uma obra de devoção privada, ou seja, uma pintura que o cardeal não pretendia designar para o altar da sua igreja, mas para si mesmo.

Ao fundo, no alto à direita, o pintor inseriu um prédio em chamas, em referência ao terremoto que foi desencadeado durante o martírio da Santa. No muro, onde o facão está apoiado, é possível ver a assinatura do pintor e a datação da obra.

Giorgio Vasari viu a pintura durante sua viagem em Pesaro datada de 1566 nos aposentos de Guidobaldo della Rovere. A pintura chegou a Florença em 1631 com a herança de Vittoria della Rovere, último membro dos Della Rovere e esposa do grão-duque da Toscana, Ferdinando II de ‘Medici.

Do ponto de vista estilístico, a crítica destacou como Sebastiano del Piombo escolheu para essa cena de violência uma solução formal caracterizada pelo forte acento horizontal da composição que era freqüentemente adotada por seus compatriotas vênetos.

Outros elementos estilísticos de origem veneziana foram trazidos à luz, como o perfil perdido do governador Quinziano na extrema esquerda.

A obra é um dos maiores exemplos da pintura veneta do século XVI e faz parte do acervo da Galleria Palatina, no Palazzo Pitti, em Florença.

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Cristiane de Oliveira

Brasileira do Rio de Janeiro, vive em Florença ha 12 anos. Apaixonada por arte, historia e bons vinhos. Guia de turismo e sommelier na Toscana.

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