No artigo de hoje vamos conhecer as obras de Angnolo Bronzino, o grande retratista na corte dos Medicis. Quase todas as obras citadas no presente artigo fazem parte do acervo da Galleria degli Uffizi em Florença.

Agnolo Bronzino, pintor toscano, depois de fazer um estágio na escola de Pontormo, tornou-se um dos maiores retratistas da corte dos Medici entre a primeira e a segunda metade do século XVI.

Agnolo Bronzino

Agnolo di Cosimo di Mariano Tori, conhecido como o Bronzino, nasceu em 17 de novembro de 1503 em Monticelli, na periferia oeste de Florença, de uma família pertencente à pequena burguesia da cidade.

Filho de um açougueiro, talvez tenha o apelido de Bronzino por causa da cor de seu cabelo. Seu aprendizado ocorreu primeiro na oficina de Raffaellino del Garbo e depois na de Pontormo com quem colaborou em todos os trabalhos decorativos da época, desde o claustro da Certosa de Galluzzo a Capela Capponi em Santa Felicita. Bronzino foi um importante representante do maneirismo florentino.

Antes de entrar para o serviço direto Cosimo I dos Medici pintou alguns de seus mais belos retratos em quais emerge a busca de uma forma perfeita. Basta pensar nos retratos dos cônjuges Lucrezia e Bartolomeu Panciatichi no Uffizi ou no retrato de Guidobaldo della Rovere da Galleria Palatina.

Em 1540, Bronzino foi nomeado retratista da corte dos Médici. Existem vários retratos que foram encomendados pelo Duque Cosimo I, filho de Maria Salviati, neta de Lorenzo, o Magnífico, e Giovanni delle Bande Nere. O Duque Cosimo encomendou os retratos da família  ​​para fins diplomáticos e familiares; De fato, muitas pinturas retratam o duque e sua numerosa descendência, consistindo dos oito filhos legítimos, mais os ilegitimos.

Outros trabalhos incluem a alegoria erótica do Triunfo de Vênus hoje em Londres, a Capela do Palazzo Vecchio, a Descida do Limbo em Santa Croce. Ele também foi o autor de rimas burlescas, incluindo uma famosa dedicada à “cebola”.

Retrato de Cosimo I de ‘Medici como Orfeu

Cosimo dos Medici como Orfeu – Bronzino

O “Retrato de Cosimo I de ‘Medici como Orfeu”  (1539-1540) conservado na Filadélfia, foi identificado por suas referências eróticas, como a imagem que foi presenteada a jovem Eleonora de Toledo, futura esposa de Cosimo, assim que ela chegou em Florença, vinda de Nápoles. Segundo os críticos, esta é a primeira pintura de Bronzino para o duque. entre 1539 e 1540.

O rosto de Cosimo com cerca vinte anos de idade é caracterizado pela fisionomia juvenil e pela falta de barba. A torção do corpo é uma reminiscência do Torso Belvedere do Vaticano. A musculatura do jovem Cosimo é emoldurada e destacada  por um manto vermelho. Orfeu alude ao caráter pacífico e amoroso do novo duque. Uma sensualidade sutil surge no retrato, acentuada pelos objetos presentes na obra.

O Retrato de Bia

Ritratto di Bia – Bronzino – Galleria degli Uffizi – Florença

Por volta de 1542, Bronzino realiza a pintura com o “Ritratto di Bia” mantido na Galeria Uffizi em Florença. Filha ilegítima de Cosimo, nascida entre 1536 e 1537 e falecida prematuramente no mesmo ano da realização da pintura. Bia nasceu antes do duque Cosimo se casar com Eleonora de Toledo. Agnolo imortalizou-a sentada em uma cadeira vestida com roupas régias, adornada com jóias e com um pingente em volta do pescoço que retrata o rosto de seu pai.

Retrato de Cosimo I de’ Medici com armadura

Retrato de Cosimo I de ‘Medici com armadura – Bronzino Uffizi

Em 1543, o pintor florentino foi contratado para retratar novamente o duque Cosimo. Assim nasceu “Retrato de Cosimo I de ‘Medici com armadura”, dos quais existem vários exemplares (o primeiro é o do Uffizi). Segundo Giorgio Vasari, Cosimo teria encomendado um retrato de Eleonora, sua esposa, para fazer pendant com o seu retrato.

Retrato de Giovanni  dos Medici com um Pintassilgo

Giovanni dos Medici – Bronzino, Galleria degli Uffizi

O “Retrato de Giovanni dos Medici com um Pintassilgo”, também no Uffizi, retrata o quarto filho de Cosimo quando ele tinha apenas dois anos de idade. A criança, coberta com uma roupa feita de seda vermelha, segura um pintassilgo na mão esquerda, talvez aludindo à carreira eclesiástica que seu pai projetara para ele. Na tradição, o segundo filho dos nobres eram sempre destinados a vida eclesiastica. O passarinho era um símbolo cristológico, ligado à lenda segundo a qual o pássaro foi ferido na cabeça quando foi remover a coroa de espinhos de Cristo.

Giovanni pode ser visto em outro quadro, alguns anos depois, no qual, entre 1560 e 1561, ele foi representado, dezessete anos de idade, sob a figura  de São João Batista. Como planejado para sua ascensão ao trono papal, o menino foi nomeado cardeal em 1560, enquanto em 1561 foi eleito arcebispo de Pisa.

Sorridente, com bochechas e mãos gordinhas, sinônimo de riqueza ligada a uma farta alimentaçâo. Pequenos tufos de cabelos loiros emolduram seu rosto e uma corrente de ouro pendurada em seu pescoço, com pingentes de coral vermelho que conforme a tradição da época, protegem as crianças da morte prematura.

Infelizmente, o sonho de Cosimo de ver o filho Giovanni como Papa partiu em 1562, com a morte do menino.

Eleonora de Toledo e Giovanni – Galleria degli Uffizi

Giovanni é sempre a criança que se junta a Eleonora de Toledo em uma pintura de Bronzino que o retrata com sua mãe, visível na Galleria degli Uffizi. A duquesa usa um maravilhoso vestido de brocado, do qual aparecem  romãs douradas. Essa é uma obra muito importante e em breve faremos um artigo somente para ela.

Retrato de Maria dos Medici

De 1551 é o “Retrato de Maria dos Medici”, também no Uffizi, que retrata a primeira filha de Cosimo e Eleonora. Bela e elegante, a jovem Maria está vestida como uma mulher adulta, comunica-se com o observador com o olhar fixo na frente e uma mão no coração. Para saber um pouco mais sobre Maria dos Medici leia o nosso artigo: Maria dos Medici, a filha primogênita de Cosimo I

Poderíamos citar outras obras do mestre toscano, mas esse pequeno mergulho nos retratos da casa Medici é suficiente para deixar claro de como sua atividade e domínio eram apreciados na corte, onde Bronzino estava constantemente ocupado representando os maiores expoentes da família Medici, mas também das outras famílias da aristocracia italiana, como por exemplo Guidobaldo della Rovere.

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Cristiane de Oliveira

Brasileira do Rio de Janeiro, vive em Florença ha 12 anos. Apaixonada por arte, historia e bons vinhos. Guia de turismo e sommelier na Toscana.

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